Segue abaixo um artigo traduzido da revista The Economist sobre a economia japonesa. O artigo em inglês pode ser lido em http://www.economist.com/businessfinance/displaystory.cfm?story_id=14943913
A doente economia japonesa
A OUTRA PALAVRA COM D
Está o Japão de volta na armadilha deflacionária?
Enquanto que recentemente os investidores tem estado divagando sobre a grande dívida, outra maligna “D-palavra” voltou a assombrá-los. Na sexta-feira, 20 de novembro, o gabinete japonês publicou um report mensal que pela primeira vez desde 2006 reconheceu que o país estava sofrendo deflação.
Os preços ao consumidor tem estado verdadeiramente caindo por meses; contudo, o passo de declínio acelerou durante o verão. Em setembro, os preços caíram em 2,2% comparado com o ano anterior. Isso é em parte devido ao país ainda estar repleto de capacidade em excesso depois do colapso das exportações no decorrer da crise financeira global, e também porque os preços do petróleo eram menores neste setembro, comparado com o mesmo mês do ano anterior. Há, todavia, mais problemas estruturais. Com o declínio da população, por exemplo, os varejistas são forçados a cortar preços para ganhar market share.
Não é coincidência que o novo governo de Yukio Hatoyama escolheu o dia quando o Banco do Japão estava sediando a reunião para estipular a taxa de juros e fazer estardalhaço sobre o assunto. Ambos o primeiro-ministro e o ministro da fazenda fizeram comentários preocupados. A sua sutil mensagem para o BJ foi clara: remova as medidas de estimulo monetário por sua conta e risco. Depois de dois dias de encontro, o BJ deixou a sua taxa inalterada (0,1%) e continuou a usar outras medidas, como a compra de títulos do governo, a qual acredita tornar a política monetária “extremamente acomodativa”
Porém o BJ não dá a impressão que está particularmente preocupado com os preços. Acredita que ainda não existem sinais claros de comportamento deflacionário nas corporações ou no público em geral, e que uma recuperação na demanda privada irá eventualmente retirar a economia de sua tendência de queda.
Alguns economistas vêem tal postura como uma complacência perigosa. As próprias previsões recentes do BJ predisseram que uma mudança ano-a-ano no IPC, excluindo-se alimentos, seria negativa nesse ano, no próximo e em 2011. Na quinta-feira, a OECD emitiu uma forte injunção ao BJ para lutar contra a deflação através do comprometimento de manter as taxas de juros em baixa e da implementação de medidas de quantitative easing até a inflação tornar-se “firmamente positiva”. Alguns advogam passos mais radicais para reinflacionar a economia, tais como cobrar os bancos no momento que depositam no BJ. Proponentes dessas medidas temem que os negócios irão retrair-se.
Da mesma forma, o governo deseja que o BJ mantenha sua parcela para estimular o crescimento, por que o déficit fiscal já está projetado a chegar em 10% do PIB no próximo ano e ainda existem as promessas de campanha. O governo deu-se uma dose de boas notícias em janeiro quando foi reportado que o crescimento econômico tinha crescido no terceiro trimestre, chegando a 4,8% em uma base anualizada, o qual foi melhor do que esperado. Mas a maior parte da variação foi devida ao gasto público; a demanda doméstica estava ainda fraca e o deflator da demanda-doméstica (uma medida de inflação excluindo os efeitos relacionados aos preços de importação e exportação) foi o mais baixo em mais do que 50 anos, de acordo com a Lombard Street Research, uma consultoria econômica.
Entretanto, não é só o BJ que precisa fazer mais para combater a inflação. O governo do senhor Hatoyama, desde setembro no cargo, até o momento, tem falhado em lançar políticas econômicas claras. A proposta dele é reequilibrar a economia por meio da demanda doméstica, contudo, não está claro como pretende fazê-lo. Entrementes, foi sugerido mexer com as práticas salariais e de contratação/demissão que os exportadores dizem iria enfraquecê-los em um tempo que eles já estão esforçando-se para resistir a um forte yen.
Aumentar a tendência de crescimento do Japão iria ser difícil, em se considerando o envelhecimento e diminuição da população. Porém, não é impossível: a produtividade poderia ser aumentada dramaticamente, em especial, no setor de serviços. Um período sustentado de alto crescimento iria ter uma efeito duplo de acabar com os problemas da dívida e da deflação. Se o susto dos duplo-D nas últimas semanas ajudar a convencer o governo do Sr. Hatoyama disso, seria um bom sinal. Tristemente, não se pode contar com isso.
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quinta-feira, 26 de novembro de 2009
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Regional Economic Outlook:Western Hemisphere - April 2008 - Parte 2
Em seguimento ao exposto na semana passada, trago aqui a segunda e última parte da análise do FMI sobre a América Latina e Caribe. Há de se ressaltar que o foco principal da abordagem do blog Economia Prática diz respeito à América do Sul, onde está localizado o nosso país. Cada informação cedida, terá um comentário no mesmo parágrafo, como podem ver.
Segundo o documento, a tendência de redução do valor das commodities e do fluxo de capital externo aos países da América Latina, em conjunto com um aumento sobremaneira das importações – pela força da demanda interna - acarretará em déficits em conta corrente até o final do ano (por exemplo, no Brasil). Na página 8 do documento, você pode visualizar um gráfico mostrando a evolução dos preços das principais commodities (petróleo, cobre e soja) com base no ano 2002. Quem passa por dificuldades quando do aumento do valor das matérias-primas são os países da América Central, mormente pela sua dependência dos alimentos vindos do exterior, o que gera pressões inflacionárias grandiosas e afeta diretamente a camada mais pobre da população. Conforme dito acima, os fluxos de capitais direcionados à América Latina aumentaram, entretanto, com direcionamento praticamente exclusivo ao setor de recursos naturais ou de operações de carry-trade. Pela entrada de dólares, ao menos, por iniciativa dos BCs, fazem-se reservas de moeda “forte” (quase de US$ 500 bilhões de dólares, em se tratando de América Latina). Contudo, todo esse capital ainda está rendendo de forma medíocre na compra de títulos norte-americanos, atualmente, nem um pouco rentáveis. A idéia de um fundo soberano então, nunca saiu da falácia política.
Em relação ao crescimento do PIB da LAC, as estimativas são de 4.4% para 2008 e 3.6% em 2009, em cotejamento com o ocorrido em 2007 (5.6%). A expansão de níveis históricos foi guiada, principalmente, pelo consumo privado – favorecido pela maior produtividade e fácil acesso ao crédito -, o qual impulsionou a valorização real dos salários e a queda do índice de desemprego da PEA. No que diz respeito às tendências comerciais, vê-se que com a desaceleração da economia norte-americana, países da América Latina e Caribe, recipientes de grandes volumes de remessas, ver-se-ão prejudicados gravemente, visto que os principais trabalhadores emigrados para os Estados Unidos são destinados à construção civil, que está muito comprometida até o momento pela desvalorização de todos os tipos de edificações (casas ou prédios comerciais).
No caso da inflação, beirando os 6% em 2007 em toda a região (com algumas exceções como na Bolívia, Costa Rica e Nicarágua – 22%), indica forte preocupação. Como tratado em texto anterior do presente blog, os principais algozes são os alimentos e o petróleo. Além disso, conta-se a pressão advinda pelo aumento do poder de compra dos salários internamente. Para combater esse “problema”, alguns BCs estão aumentando a taxa de juros da dívida pública para desviar recursos dos empréstimos de consumo para a renda fixa, ou mesmo os governos de tendência populista estão concedendo políticas administrativas de distribuição de “bolsas”, com impacto direto na questão de equilíbrio fiscal. Veja-se que a solução real vai, muito além, por exemplo, com a descentralização de a capacidade produtiva alimentar das nações: Brasil, Austrália, Argentina, Estados Unidos e União Européia em direção ao continente africano.
Tangente à questão fiscal, espera-se uma diminuição do ritmo de crescimento das economias latino-americanas (acompanhado da manutenção das receitas pelo receituário tributário atroz), enquanto as despesas primárias, destinadas à sustentação da máquina pública – não investimentos -, exibem perspectiva de considerável aumento no decorrer de 2008. Segundo gráficos constantes na pág. 20, caso o comércio de commodities arrefeça, em geral, os países da LAC estarão apresentando déficits em conta corrente. O caso do Brasil é claro nesse sentido, como pode ser visto na mídia.
Desta vez, foi feito de forma sucinta o apanhado sobre o documento regional do FMI sobre as Américas. Fato esse que sublinha a repetição de alguns assuntos tratados na edição de novembro de 2007 e, que pela sua difícil explanação em termos práticos, coloca o leitor em situação um pouco escabrosa. Ressaltamos as preocupações do momento como: inflação alta, déficits nas relações internacionais (seja conta de capital, de comércio ou serviços) e problemas na política fiscal no curto prazo.
Segundo o documento, a tendência de redução do valor das commodities e do fluxo de capital externo aos países da América Latina, em conjunto com um aumento sobremaneira das importações – pela força da demanda interna - acarretará em déficits em conta corrente até o final do ano (por exemplo, no Brasil). Na página 8 do documento, você pode visualizar um gráfico mostrando a evolução dos preços das principais commodities (petróleo, cobre e soja) com base no ano 2002. Quem passa por dificuldades quando do aumento do valor das matérias-primas são os países da América Central, mormente pela sua dependência dos alimentos vindos do exterior, o que gera pressões inflacionárias grandiosas e afeta diretamente a camada mais pobre da população. Conforme dito acima, os fluxos de capitais direcionados à América Latina aumentaram, entretanto, com direcionamento praticamente exclusivo ao setor de recursos naturais ou de operações de carry-trade. Pela entrada de dólares, ao menos, por iniciativa dos BCs, fazem-se reservas de moeda “forte” (quase de US$ 500 bilhões de dólares, em se tratando de América Latina). Contudo, todo esse capital ainda está rendendo de forma medíocre na compra de títulos norte-americanos, atualmente, nem um pouco rentáveis. A idéia de um fundo soberano então, nunca saiu da falácia política.
Em relação ao crescimento do PIB da LAC, as estimativas são de 4.4% para 2008 e 3.6% em 2009, em cotejamento com o ocorrido em 2007 (5.6%). A expansão de níveis históricos foi guiada, principalmente, pelo consumo privado – favorecido pela maior produtividade e fácil acesso ao crédito -, o qual impulsionou a valorização real dos salários e a queda do índice de desemprego da PEA. No que diz respeito às tendências comerciais, vê-se que com a desaceleração da economia norte-americana, países da América Latina e Caribe, recipientes de grandes volumes de remessas, ver-se-ão prejudicados gravemente, visto que os principais trabalhadores emigrados para os Estados Unidos são destinados à construção civil, que está muito comprometida até o momento pela desvalorização de todos os tipos de edificações (casas ou prédios comerciais).
No caso da inflação, beirando os 6% em 2007 em toda a região (com algumas exceções como na Bolívia, Costa Rica e Nicarágua – 22%), indica forte preocupação. Como tratado em texto anterior do presente blog, os principais algozes são os alimentos e o petróleo. Além disso, conta-se a pressão advinda pelo aumento do poder de compra dos salários internamente. Para combater esse “problema”, alguns BCs estão aumentando a taxa de juros da dívida pública para desviar recursos dos empréstimos de consumo para a renda fixa, ou mesmo os governos de tendência populista estão concedendo políticas administrativas de distribuição de “bolsas”, com impacto direto na questão de equilíbrio fiscal. Veja-se que a solução real vai, muito além, por exemplo, com a descentralização de a capacidade produtiva alimentar das nações: Brasil, Austrália, Argentina, Estados Unidos e União Européia em direção ao continente africano.
Tangente à questão fiscal, espera-se uma diminuição do ritmo de crescimento das economias latino-americanas (acompanhado da manutenção das receitas pelo receituário tributário atroz), enquanto as despesas primárias, destinadas à sustentação da máquina pública – não investimentos -, exibem perspectiva de considerável aumento no decorrer de 2008. Segundo gráficos constantes na pág. 20, caso o comércio de commodities arrefeça, em geral, os países da LAC estarão apresentando déficits em conta corrente. O caso do Brasil é claro nesse sentido, como pode ser visto na mídia.
Desta vez, foi feito de forma sucinta o apanhado sobre o documento regional do FMI sobre as Américas. Fato esse que sublinha a repetição de alguns assuntos tratados na edição de novembro de 2007 e, que pela sua difícil explanação em termos práticos, coloca o leitor em situação um pouco escabrosa. Ressaltamos as preocupações do momento como: inflação alta, déficits nas relações internacionais (seja conta de capital, de comércio ou serviços) e problemas na política fiscal no curto prazo.
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