De modo a reiterar seu comprometimento com a informação publicada pelos organismos internacionais, somente aqui no blog Economia Prática, você confere um resumo qualificado do tratado no recém lançado Regional Economic Outlook – Western Hemisphere (disponível para download em (1). O documento explicita vários aspectos da economia nas Américas. Confira.
PANORAMA PARA OS ESTADOS UNIDOS
Há apenas dois anos atrás, nos Estados Unidos, o crescimento econômico era robusto, onde abundava liquidez para a especulação no mercado de ações e aquisição de empréstimos para a compra de imóveis (hipotecas). As principais instituições financeiras aproveitavam-se de um marco regulatório fraco para criar novos “produtos”, de alta lucratividade e risco teoricamente baixo, mediante um processo de inovação obtuso e sem segurança comprovada. O alicerce de tal comportamento era o aumento contínuo do valor das residências (e o incentivo conseqüente para a construção civil); contudo, quando se iniciou um processo de rachaduras em tal base, isto é, deflação no valor dos ativos e paradas nas obras, a verdade tornou-se visível: os tomadores de empréstimo, endividados e insolventes, não poderiam pagar os bancos, gerando um efeito dominó de retenção de crédito e aumento da taxa de juros generalizada na economia.
Esse panorama de default causou a falência de instituições como o Lehman Brothers, forçando a Reserva Federal há iniciar uma política de recapitalização bancária holística (discutida calorosamente no meio político e econômico), com o intuito de evitar uma crise sistêmica. Apesar de tais medidas, os spreads continuam relativamente altos, tanto para pessoa jurídica quanto física. Tendo em vista a ineficiência da política monetária por si só na resolução do problema da crise, a política fiscal foi acionada através da aprovação de um Plano de Estabilidade Financeira (2) pelo Congresso de 5% do PIB a ser gasto na renovação da infra-estrutura, saúde, educação e na reoxigenação do sistema financeiro.
Segundo a análise do FMI, os Estados Unidos, que já está em recessão desde dezembro de 2007, não apresenta chances de recuperação satisfatória no primeiro semestre de 2009, o que preocupa os mais de 600 mil afetados pelo desemprego (8,5% da PEA). A projeção de crescimento encontra-se atualmente em -2,8% para 2009, visto que, um dólar forte inibe as exportações e uma inflação baixa internamente, as importações.
PANORAMA PARA O CANADÁ
Cerca de três quartos de suas exportações têm destino como os Estados Unidos, logo, a atual crise está sendo sentido na sua plenitude no Canadá, onde se registrou contração do PIB em 3,4% no último semestre do ano passado. No entanto, esse país localiza-se em uma posição benigna (fruto de superávits primários e estabilidade de preços), além de contar com instituições bancárias com sólidos balanços, produto de um marco regulatório organizado e avesso ao risco (3). Dessa forma, os efeitos da execução das políticas monetária e fiscal serão amplamente impactantes na economia como um todo, porém só no médio prazo.
(1) http://www.imf.org/external/pubs/ft/reo/2009/WHD/ENG/wreo0509.htm
(2) Financial Stability Plan – disponível para download, em inglês, em http://www.slideshare.net/LegalDocs/us-financial-stability-plan-2009
(3) Os balanços estão em equilíbrio. Contudo, ao passo que a queda da atividade econômica e a deflação mantenham continuidade, irá vingar uma postura cautelosa nos empréstimos.
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domingo, 21 de junho de 2009
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Regional Economic Outlook - Western Hemisphere - October 2008 - visão panorâmica
Recém retornei de uma viagem à cidade de Vancouver, província de BC (British Columbia), Canadá, na qual tive a oportunidade de complementar os meus estudos em relação à língua inglesa, visto que não somente pelo futuro site Economia Prática, mas também pelos meus anseios profissionais, é indispensável construir uma base forte neste sentido. Além disso, não menos importante, pude interagir de forma concreta com pessoas advindas de diversas partes do mundo (Japão, Coréia do Sul, Alemanha e Canadá) e estabeleci contatos direcionados a fomentar a idéia de opinião globalizada em nosso sítio econômico. Apesar de estar constantemente ocupado com as atividades colegiais, não esqueci nem por um momento dos assuntos econômicos, de forma que exponho aqui um resumo do analisado pela equipe do FMI no último documento sobre as Américas, disponível para download em http://www.imf.org/external/pubs/ft/reo/2008/WHD/ENG/wreo1008.pdf, em inglês. Vejamos.
No capítulo I do presente documento, focam-se em dois países basicamente: EUA e Canadá. Iniciando-se pelos EUA, verifica-se que o desemprego aumentou (pela redução da atividade de construção civil) e, conseqüentemente, o nível das remunerações aos trabalhadores apresentou queda desde janeiro do corrente ano, mesmo com a participação estatal massiva no mercado de capitais e na economia real – injeção de capital, “recapitalização”, em instituições bancárias, diminuição das restrições aos empréstimos interbancários via seguro dos depósitos, compra de ativos privados (1). Há preocupação no que diz respeito às condições fiscais, visto que além dos projetos passados, existe possibilidade de maiores aplicações de capital na economia, gerando instabilidade (e.g, inflação) e majoração da dívida total americana. Como produto desta convulsão assinalada (2), deve-se prestar atenção à regulação do sistema financeiro posterior ao crash. Por parte do Canadá, verifica-se impacto negativo da crise mundial nas receitas comerciais. Na região Oeste, intensiva na economia extrativa -commodities -, províncias de British Columbia (silvicultura) e Alberta (minérios e extração petrolífera); na região Leste, concernente às atividades industriais (províncias de Quebéc e Ontário). Tangível e surpreendente é a constatação de que a desaceleração da atividade econômica não se traduziu em redução salarial nominal; contudo, via desvalorização do dólar canadense, o consumidor perdeu poder de compra (importados).
Tendo em vista o capítulo II têm-se uma abordagem congruente sobre a América Latina. Houve crescimento robusto nos últimos cinco anos, principalmente, pelos preços atraentemente altos das commodities e pelo desenvolvimento industrial paulatino que se identificava na região. Além disso, podia-se sublinhar o comprometimento no controle da inflação e do equilíbrio fiscal, mesmo que os gastos continuem superando as receitas de forma geral. No presente momento no qual o mundo está em convulsão, o crédito está escasso tanto para consumo como investimento, fato que corrobora a desaceleração da atividade econômica, diminuindo o preço das matérias-primas, concomitante à manutenção dos índices de preços. A seqüência lógica exposta anteriormente seria plausível se as políticas monetárias e fiscais aplicadas na região não fossem tão irresponsáveis, abrindo as torneiras dos BCs (diminuição do compulsório, empréstimos a taxas de juros reduzidas) e dos cofres públicos em geral, por meio de pacotes fiscais sem propósito específico. Apesar do problema no preço dos alimentos estar em segundo plano no momento, o documento exemplifica situações registradas no México e Nicarágua no intuito de assinalar o risco ao equilíbrio social quando a pobreza e a fome estão interligadas em definitivo e medidas para combatê-lo, seja por modificações das quotas de importação, redução dos tributos incidentes, pacotes sociais de assistência ou até subsídios. Abrangência é a palavra-chave neste sentido.
Sendo a sigla FMI descrita como Fundo Monetário Internacional, é indubitável a menção do tema inflação em um capítulo em separado. Depois de um início que explica os modelos a serem utilizados (pág. 32 e 33), há o debate acerca dos motivos potenciais dos elevados índices de inflação, tais como: aumento dos preços dos alimentos e do petróleo, os quais, por sua vez, pressionam a capacidade produtiva potencial, cujo limite está praticamente alcançado, enquanto a demanda continua resiliente. É padrão utilizar a política de juros para diminuir o consumo, entretanto, em um cenário de recessão global, não é possível executar tão facilmente tal medida, haja vista o que ocorre nos EUA. O grande obstáculo ao equilíbrio monetário será a participação imperativa e não momentânea da política fiscal, com sua conseqüente colaboração para o aumento da dívida interna e externa dos componentes do bloco.
Em continuidade do subtópico “política fiscal”, o capitulo IV aborda as opções daquela para enfrentar o problema da inflação dos alimentos, a qual atinge diretamente os trabalhadores de baixa renda, visto que consomem maior fração de sua renda para tal. Como medidas aplicadas pelos governos dos países latino-americanos, apontam-se: i) redução das taxas de importação; ii) subsídios; iii) programas sociais; iv) controle de preços; v) restrição ao comércio; vi) investimento à produção de alimentos, via linhas de crédito; vii) aumento artificial dos salários. Dentre estas medidas, segundo pesquisa realizada tendo como base Nicarágua e México, a que foi considerada mais efetiva foi, em ambos os países, a estabilização de uma rede de seguridade social, aos moldes do nosso Bolsa Família. Infelizmente, a construção desse sistema não acontece instantaneamente, o que leva à necessidade da aplicação de uma segunda melhor medida, seja ela a redução de impostos ou subsídios aos preços, cujo efeito é temporário.
Deixando de lado o estudo feito no capítulo V sobre a vulnerabilidade das empresas aos choques cambiais, passamos ao VI, o qual discute as condições para aumentar o investimento na América Latina no longo prazo, com o intuito de alcançar os outros países em desenvolvimento no que tange aos índices de crescimento. Apesar dos investimentos estarem crescendo segundo fatia do PIB, ainda se constata que há diversos pontos fracos em nossa estrutura macroeconômica, tais como: inflação persistentemente acima das metas estipuladas pelos BCs na maioria dos países da LAC; custo do crédito ainda em níveis estratosféricos (isto em clima financeiro instável que tende a ser mais nocivo); total descontrole das atividades de comércio, sendo vítima de um carrossel de superávits e déficits, dependendo do humor global. Afora estes indicadores, ressaltam-se as preocupações com o pequeno empresário, o qual é desafiado diariamente na sua luta por empréstimos com taxas de juros racionalmente ajustadas, visto que o seu risco é maior comparado ao de uma multinacional, por exemplo. Ademais, reformas institucionais que facilitem à comunicação entre os bancos e as companhias, de forma a assegurar uma relação de mútuo controle, sendo base capital da eficiência processual que é diminuta em nosso país.
Frente ao exposto, é de fato complicada a situação enfrentada pelas Américas no que tange à crise financeira global, visto que ela acarreta em redução do crédito para o investimento e consumo, desvalorização cambial, crise no balanço de pagamentos e convulsões sociais via canal inflacionário. Cada país enfrenta, individualmente, uma miríade de problemas estruturais (relacionados com infra-estrutura, por exemplo) - além de educação, saúde - os quais, definitivamente, influenciam no crescimento pífio das economias das quais fazemos parte e são peça fractal que colabora no direcionamento de capitais para criação de empregos e negócios em outros continentes, e não aqui.
No capítulo I do presente documento, focam-se em dois países basicamente: EUA e Canadá. Iniciando-se pelos EUA, verifica-se que o desemprego aumentou (pela redução da atividade de construção civil) e, conseqüentemente, o nível das remunerações aos trabalhadores apresentou queda desde janeiro do corrente ano, mesmo com a participação estatal massiva no mercado de capitais e na economia real – injeção de capital, “recapitalização”, em instituições bancárias, diminuição das restrições aos empréstimos interbancários via seguro dos depósitos, compra de ativos privados (1). Há preocupação no que diz respeito às condições fiscais, visto que além dos projetos passados, existe possibilidade de maiores aplicações de capital na economia, gerando instabilidade (e.g, inflação) e majoração da dívida total americana. Como produto desta convulsão assinalada (2), deve-se prestar atenção à regulação do sistema financeiro posterior ao crash. Por parte do Canadá, verifica-se impacto negativo da crise mundial nas receitas comerciais. Na região Oeste, intensiva na economia extrativa -commodities -, províncias de British Columbia (silvicultura) e Alberta (minérios e extração petrolífera); na região Leste, concernente às atividades industriais (províncias de Quebéc e Ontário). Tangível e surpreendente é a constatação de que a desaceleração da atividade econômica não se traduziu em redução salarial nominal; contudo, via desvalorização do dólar canadense, o consumidor perdeu poder de compra (importados).
Tendo em vista o capítulo II têm-se uma abordagem congruente sobre a América Latina. Houve crescimento robusto nos últimos cinco anos, principalmente, pelos preços atraentemente altos das commodities e pelo desenvolvimento industrial paulatino que se identificava na região. Além disso, podia-se sublinhar o comprometimento no controle da inflação e do equilíbrio fiscal, mesmo que os gastos continuem superando as receitas de forma geral. No presente momento no qual o mundo está em convulsão, o crédito está escasso tanto para consumo como investimento, fato que corrobora a desaceleração da atividade econômica, diminuindo o preço das matérias-primas, concomitante à manutenção dos índices de preços. A seqüência lógica exposta anteriormente seria plausível se as políticas monetárias e fiscais aplicadas na região não fossem tão irresponsáveis, abrindo as torneiras dos BCs (diminuição do compulsório, empréstimos a taxas de juros reduzidas) e dos cofres públicos em geral, por meio de pacotes fiscais sem propósito específico. Apesar do problema no preço dos alimentos estar em segundo plano no momento, o documento exemplifica situações registradas no México e Nicarágua no intuito de assinalar o risco ao equilíbrio social quando a pobreza e a fome estão interligadas em definitivo e medidas para combatê-lo, seja por modificações das quotas de importação, redução dos tributos incidentes, pacotes sociais de assistência ou até subsídios. Abrangência é a palavra-chave neste sentido.
Sendo a sigla FMI descrita como Fundo Monetário Internacional, é indubitável a menção do tema inflação em um capítulo em separado. Depois de um início que explica os modelos a serem utilizados (pág. 32 e 33), há o debate acerca dos motivos potenciais dos elevados índices de inflação, tais como: aumento dos preços dos alimentos e do petróleo, os quais, por sua vez, pressionam a capacidade produtiva potencial, cujo limite está praticamente alcançado, enquanto a demanda continua resiliente. É padrão utilizar a política de juros para diminuir o consumo, entretanto, em um cenário de recessão global, não é possível executar tão facilmente tal medida, haja vista o que ocorre nos EUA. O grande obstáculo ao equilíbrio monetário será a participação imperativa e não momentânea da política fiscal, com sua conseqüente colaboração para o aumento da dívida interna e externa dos componentes do bloco.
Em continuidade do subtópico “política fiscal”, o capitulo IV aborda as opções daquela para enfrentar o problema da inflação dos alimentos, a qual atinge diretamente os trabalhadores de baixa renda, visto que consomem maior fração de sua renda para tal. Como medidas aplicadas pelos governos dos países latino-americanos, apontam-se: i) redução das taxas de importação; ii) subsídios; iii) programas sociais; iv) controle de preços; v) restrição ao comércio; vi) investimento à produção de alimentos, via linhas de crédito; vii) aumento artificial dos salários. Dentre estas medidas, segundo pesquisa realizada tendo como base Nicarágua e México, a que foi considerada mais efetiva foi, em ambos os países, a estabilização de uma rede de seguridade social, aos moldes do nosso Bolsa Família. Infelizmente, a construção desse sistema não acontece instantaneamente, o que leva à necessidade da aplicação de uma segunda melhor medida, seja ela a redução de impostos ou subsídios aos preços, cujo efeito é temporário.
Deixando de lado o estudo feito no capítulo V sobre a vulnerabilidade das empresas aos choques cambiais, passamos ao VI, o qual discute as condições para aumentar o investimento na América Latina no longo prazo, com o intuito de alcançar os outros países em desenvolvimento no que tange aos índices de crescimento. Apesar dos investimentos estarem crescendo segundo fatia do PIB, ainda se constata que há diversos pontos fracos em nossa estrutura macroeconômica, tais como: inflação persistentemente acima das metas estipuladas pelos BCs na maioria dos países da LAC; custo do crédito ainda em níveis estratosféricos (isto em clima financeiro instável que tende a ser mais nocivo); total descontrole das atividades de comércio, sendo vítima de um carrossel de superávits e déficits, dependendo do humor global. Afora estes indicadores, ressaltam-se as preocupações com o pequeno empresário, o qual é desafiado diariamente na sua luta por empréstimos com taxas de juros racionalmente ajustadas, visto que o seu risco é maior comparado ao de uma multinacional, por exemplo. Ademais, reformas institucionais que facilitem à comunicação entre os bancos e as companhias, de forma a assegurar uma relação de mútuo controle, sendo base capital da eficiência processual que é diminuta em nosso país.
Frente ao exposto, é de fato complicada a situação enfrentada pelas Américas no que tange à crise financeira global, visto que ela acarreta em redução do crédito para o investimento e consumo, desvalorização cambial, crise no balanço de pagamentos e convulsões sociais via canal inflacionário. Cada país enfrenta, individualmente, uma miríade de problemas estruturais (relacionados com infra-estrutura, por exemplo) - além de educação, saúde - os quais, definitivamente, influenciam no crescimento pífio das economias das quais fazemos parte e são peça fractal que colabora no direcionamento de capitais para criação de empregos e negócios em outros continentes, e não aqui.
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segunda-feira, 28 de abril de 2008
Regional Economic Outlook:Western Hemisphere - April 2008 - Parte 1
Como é de especialidade desse blog, disponibilizo a análise do documento Regional Economic Outlook – Western Hemisphere¹, publicado no mês de abril pelo FMI, o qual trata das tendências econômicas para as Américas, incluindo Estados Unidos (o principal foco de disrupção das tendências positivas de crescimento da América Latina e Caribe) e o Canadá. A previsão é de que a abordagem seja conduzida em três textos, não sendo, obrigatoriamente, em seqüência, visto que ele possui cerca de 60 páginas.
Mesmo com os estímulos concedidos pelas autoridades norte-americanas, seja no aspecto fiscal ou monetário, o crescimento estimado do PIB ficará em torno de 0,5%, principalmente, por causa da crise do setor imobiliário que já está completando quase um ano (muito além do subprime, é bom citar). As previsões de curto prazo são ainda obscuras, visto que os preços das residências e construções comerciais continuam caindo (10-20% nos últimos quatro quadrimestres) e o setor financeiro ultrapassa por um período de aversão ao risco de crédito, tendo que optar por postura mais comedida em relação a quem deve emprestar o seu capital minguado pela desvalorização de seus antigos ativos imobiliários salutares. Para combater essa tendência amedrontadora, a Reserva Federal posicionou-se como salvadora de bancos (inclusive os de investimento, como o Bear Stearns, antes não contemplados pela mão salvadora do dinheiro público), além disso, no âmbito fiscal, foi aprovado um pacote de “restituições” no valor de US$ 170 bilhões a ser feito aos contribuintes, englobando, outrossim, redução de impostos para o investimento privado e financiamento de hipotecas com o dinheiro público. Mesmo assim, se os balanços das instituições bancárias não demonstrarem uma recuperação satisfatória até a metade do ano, talvez, a solução será vender a alma para os recursos abundantes dos SWF (Sovereign Wealth Funds, no português, Fundos Soberanos, tratados no presente blog²)
No que diz respeito ao Canadá, mesmo com uma demanda interna forte e resultados interessantes no comércio de commodities, enfrenta um processo de apreciação de sua moeda (dólar canadense) em relação ao dólar americano, o que leva a um aumento considerável das importações de manufaturados dos EUA. Em contrário ao que acontece no resto do mundo, o centro do índice de inflação está em queda acentuada, forçando ao Banco do Canadá a um afrouxamento da política monetária, de uma forma mais simples: um pacote de estimulo fiscal (peripécias Keynesianas). Não se antevê grandes problemas para esse país no decorrer do ano, a não ser que ocorra uma queda real no valor das commodities, causando queda no saldo externo. Felizmente, com políticas consistentes no controle macroeconômico, reformas estruturais e flexibilidade no mercado de trabalho, há de se esperar que a bonança continue. Previsto crescimento de 1.3% e 1.9%, respectivamente, em 2008 e 2009.
Quando se fala em América Latina e Caribe, no que tange ao sistema financeiro, percebe-se que os bancos estão em ótimo estado, sustentando os níveis de crédito ao consumidor e às empresas, mesmo com a apresentação de taxas de juros escandalosas. O prêmio de risco às aplicações em países emergentes apresenta variação ridícula nos mercados, em especial, pelas condições prevalecentes de controle fiscal, supervisão do nível de dívida bruta/PIB e edificação de níveis de reservas internacionais polpudas. Para o financiamento do setor privado, excetuando-se as empresas Blue Chips, houve um aumento nos spreads, o que as obrigou a buscar capital no mercado acionário (cerca de 20% do capital vem de investidores internacionais). Para se ter uma idéia, aproximadamente 100 novas empresas fizeram o seu IPO, no Brasil, em 2007. Em contradição ao visto em outras nações do LAC (Latin American and Caribbean), o Brasil foi um dos únicos países a apresentar valorização do conjunto acionário no ano, com destaque para o papel das grandes empresas do setor primário de nosso país (Vale, Petrobras e CSN).
Marcas
¹ Arquivo pode ser baixado através do link http://www.imf.org/external/pubs/ft/reo/2008/whd/ENG/wreo0408.htm
² Explicação sobre a definição de Fundos Soberanos está presente nesse blog em:
http://economiapratica.blogspot.com/2008/01/fundos-soberanos-do-mistrio-prtica.html
Mesmo com os estímulos concedidos pelas autoridades norte-americanas, seja no aspecto fiscal ou monetário, o crescimento estimado do PIB ficará em torno de 0,5%, principalmente, por causa da crise do setor imobiliário que já está completando quase um ano (muito além do subprime, é bom citar). As previsões de curto prazo são ainda obscuras, visto que os preços das residências e construções comerciais continuam caindo (10-20% nos últimos quatro quadrimestres) e o setor financeiro ultrapassa por um período de aversão ao risco de crédito, tendo que optar por postura mais comedida em relação a quem deve emprestar o seu capital minguado pela desvalorização de seus antigos ativos imobiliários salutares. Para combater essa tendência amedrontadora, a Reserva Federal posicionou-se como salvadora de bancos (inclusive os de investimento, como o Bear Stearns, antes não contemplados pela mão salvadora do dinheiro público), além disso, no âmbito fiscal, foi aprovado um pacote de “restituições” no valor de US$ 170 bilhões a ser feito aos contribuintes, englobando, outrossim, redução de impostos para o investimento privado e financiamento de hipotecas com o dinheiro público. Mesmo assim, se os balanços das instituições bancárias não demonstrarem uma recuperação satisfatória até a metade do ano, talvez, a solução será vender a alma para os recursos abundantes dos SWF (Sovereign Wealth Funds, no português, Fundos Soberanos, tratados no presente blog²)
No que diz respeito ao Canadá, mesmo com uma demanda interna forte e resultados interessantes no comércio de commodities, enfrenta um processo de apreciação de sua moeda (dólar canadense) em relação ao dólar americano, o que leva a um aumento considerável das importações de manufaturados dos EUA. Em contrário ao que acontece no resto do mundo, o centro do índice de inflação está em queda acentuada, forçando ao Banco do Canadá a um afrouxamento da política monetária, de uma forma mais simples: um pacote de estimulo fiscal (peripécias Keynesianas). Não se antevê grandes problemas para esse país no decorrer do ano, a não ser que ocorra uma queda real no valor das commodities, causando queda no saldo externo. Felizmente, com políticas consistentes no controle macroeconômico, reformas estruturais e flexibilidade no mercado de trabalho, há de se esperar que a bonança continue. Previsto crescimento de 1.3% e 1.9%, respectivamente, em 2008 e 2009.
Quando se fala em América Latina e Caribe, no que tange ao sistema financeiro, percebe-se que os bancos estão em ótimo estado, sustentando os níveis de crédito ao consumidor e às empresas, mesmo com a apresentação de taxas de juros escandalosas. O prêmio de risco às aplicações em países emergentes apresenta variação ridícula nos mercados, em especial, pelas condições prevalecentes de controle fiscal, supervisão do nível de dívida bruta/PIB e edificação de níveis de reservas internacionais polpudas. Para o financiamento do setor privado, excetuando-se as empresas Blue Chips, houve um aumento nos spreads, o que as obrigou a buscar capital no mercado acionário (cerca de 20% do capital vem de investidores internacionais). Para se ter uma idéia, aproximadamente 100 novas empresas fizeram o seu IPO, no Brasil, em 2007. Em contradição ao visto em outras nações do LAC (Latin American and Caribbean), o Brasil foi um dos únicos países a apresentar valorização do conjunto acionário no ano, com destaque para o papel das grandes empresas do setor primário de nosso país (Vale, Petrobras e CSN).
Marcas
¹ Arquivo pode ser baixado através do link http://www.imf.org/external/pubs/ft/reo/2008/whd/ENG/wreo0408.htm
² Explicação sobre a definição de Fundos Soberanos está presente nesse blog em:
http://economiapratica.blogspot.com/2008/01/fundos-soberanos-do-mistrio-prtica.html
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